quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sobre tempestades e mortes

“Um copo d’àgua,
faz uma tempestade
se com aquela água
não se mata a sede”

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

E o Direito ao Delírio, você quer ter ou não?




Acabei de mostrar o vídeo intitulado “El Derecho al Delírio” de Eduardo Galeano pra minha mãe. Assistimos juntos, de forma que eu ia comentado algumas partes para ela. (Minha mãe é daquele tipo que não gosta de legendas e por falta de costume, não consegue acompanhar a rapidez das transições). Percebi que eu estava bastante empolgado.

Ao final, o comentário que ela fez foi muito mais em virtude da percepção dela em relação à minha empolgação, do que propriamente do conteúdo do vídeo. Que frustração. A tristeza só não se acentuou ainda mais, por que finalmente consegui iniciar esse texto.

Assisti novamente ao vídeo e me atentei para as primeiras frases, em que Galeano diz: “Que tal começarmos a exercer o direito de sonhar? Que tal se delirarmos um pouquinho?” Comecei a imaginar então: Quantas pessoas não se dão ao direito de sonhar ou de delirar um pouco? Qual o real motivo para tamanha vontade de estar o tempo todo com os dois pés no chão? De quem é a culpa? Quais as consequências?

Álvaro Valls, em seu livro intitulado “O que é ética”, nos elucida que essas pessoas que não se dão ao direito de delirar – no ponto de vista do Galeano – , acabam por renunciar ao seus anseios de liberdade, e de alguma forma “optam” por viver presas ou agarradas à um sistema manipulador, o qual as privam de várias faculdades que lhes são de direito, como é o caso do acesso à informação.

Milton Santos, em sua publicação denominada “Por uma outra globalização”, trata essa questão do acesso à informação de uma forma muito séria, pois o conceito trazido pelos meios de comunicação de massa de que a globalização torna o acesso à informação mais democrático e acessível, nada mais é do que um grade mito. Santos faz sua análise sinalizando que, o que importa realmente não é a quantidade de informação que se chega, mas sim a qualidade dessas. Mesmo no atual mundo dito globalizado, as periferias estão se tornando cada vez mais periféricas, não só geograficamente, mas também no que tange ao acesso de informação relevante para a construção de uma sociedade mais justa. Auri Cunha, descreve a criação do Homem Burguês em seu texto “A Modernidade em seu Espelho” por diversos fatores, podendo-se destacar entre eles a manipulação quase que monopolizada dos meios de comunicação de massa, que corrobora bastante para a criação de uma consciência coletiva de acordo com os moldes estrategicamente planejados.

Temos aí, um cenário que julgo triste, mas extremamente favorável para o surgimento “em massa” dos sintomas que pude diagnosticar dentro da minha casa, com minha mãe. Grande parte das pessoas passam suas vidas renunciando sua liberdade, apenas deixando-se levar pelos acontecimentos, vivendo sobre os preceitos morais que antecederam sua existência e sem colaborar de forma participativa para a evolução desses costumes.

Voltando ao vídeo do Galeano, ele discorre sobre uma sociedade utópica, com várias características que para ele são valor, e que passa despercebido por muitas pessoas que, plageando sua fala: “vivem para trabalhar e não, trabalham para viver”. O que ele discorre uma sociedade totalmente ideológica, mas que faz total sentido se entendermos a questão da ideologia antes de Marx, segundo Leandro Konder. Ele explica que a ideologia é um dos fatores causadores das reflexões acerca do comportamento e costumes de uma sociedade, assumindo papel fundamental como força motriz para desencadeamento de ações que podem propor mudanças na forma de pensar e agir de um grupo de pessoas. Em outras palavras, seria o que Galeano diz no início do vídeo sobre para que serve a Utopia. Ele mesmo responde: Para caminhar.

Que todos nós então, tenhamos nossos horizontes, nossas utopias, e que demos a nós mesmos o direito de delirar. Dessa maneira, poderemos realmente tornar o mundo melhor pra nós e pros outros.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Lábios

Como é difícil silenciar minha boca,
Quando no peito, o caração bate,
bombeando palavras garganta afora.


Como é difícil silenciar minha boca,
Quando no rosto, seus olhos cintilam,
Salpicando palavras invisíveis ao vento.


Como é difícil falar com os olhos.
No silêncio, entender.